quinta-feira, outubro 14, 2010

Capítulo 10 - Quem Foi Dylan

  Caro leitor, eu certamente entendo a sua frustração! E não lhe tirarei a razão. Apenas lhe direi “Quem foi Dylan”. Nada mais que isso, afinal, um final triste não explica alguém... ainda mais alguém como nosso querido Dylan.
  Quem foi Dylan? Bom, Dylan foi aquele que nasceu após a morte de seus pais. Foi um rapaz que amou e viveu com inocência, que fez tudo certo até o destino pregar-lhe uma peça. Dylan, ah, Dylan foi um amor de pessoa, que mesmo com seus problemas psíquicos, assim dizendo, conseguiu lidar suficientemente bem com a vida. O Dylan foi aquele que apaixonou-se por Julie, e a deixou sozinha após ter dito a ela as  mais belas palavras já ouvidas. Um ato que mais tarde tornara-se irreversível. Sem razão ou motivo, pelo menos àqueles que não vêem, Dylan amou. Não foi o suficiente, não mesmo, pensativo leitor.
  Quem foi Dylan? Foi aquele que acabou perdendo o seu amor para um psicólogo. Psicologia... ah, essa pode desvendar todos os mistérios da mente humana, mas somente os mistérios  da mente. Talvez Julie não foi capaz de amá-lo a ponto de o esperar por todo o sempre, pois ela era apenas um psicóloga. Como assim? Bom, Dylan, leitor desentendido, Dylan... ele foi uma pessoa com problemas psíquicos, tais como autismo e trauma, que conseguiu lidar com a vida... e por que você acha que ele conseguiu? Sim, é claro! Porque a última coisa que ele usara fora a mente. Dylan baseava-se apenas no coração, assim agindo com ele em todos os momentos. Nem sequer Julie ou a psicologia, entenderá um dia os mistérios do coração.
  Amar, sentir, chorar, viver, morrer, sorrir... são todos verbos correspondentes. Podem não contemplar um momento ao mesmo tempo, mas podem se aliar a qualquer instante. Na verdade, não há final triste aos olhos de quem sente  100% os fatos e os motivos. Concluir que não ficar junto significa o fim, é um ato errôneo, vicioso e maldito.
  Julie continuou sua vida com o psicólogo, mas e o Dylan? Quem foi Dylan? Foi aquele que contemplou esse conto até aqui. Mas ele ainda é! Não morreu, ele apenas seguiu em frente. Dylan foi o que foi até o certo momento. Mas até o fim dos tempos, quem foi ou quem será Dylan?
   Ah, leitor ingênuo... Isso ninguém sabe!






     The End

Capítulo 9 - O Anel

  Os olhares estavam num estágio além da hipnoze. Dylan e Julie, eram naquele momento, duas almas refletidas pela luz de um sol cativante. Poderiam ficar ali pela eternidade, apenas sentindo o olhar um do outro.
  Mas como quem dispertara de um transe, Julie finalmente disse as três palavras que salvaram o coração de Dylan naquele exato momento:
  _ Eu te perdoo!
  Uma lágrima do passado tomou conta da face do rapaz, que estava tão feliz que não conseguira mover-se. Julie desviou o olhar minguante, e passou a observar as aves em suas manobras perfeitas diante daquela atmosfera azul de um vento acolhedor.
  Depois de dois severos minutos de silêncio, Dylan começou seu discurso. Discurso que tivera dois severos minutos para fazer. Começa mais ou menos assim:
 _ Se me permite, Julie. É... eu preciso dizer tudo o que tenho guardado no peito desde que nos vimos pela última vez.
  Julie nem sequer demonstrou interesse em saber o que Dylan tinha a dizer. Mesmo assim, o rapaz prosseguiu:
 _ Contigo, eu descobri que um ato pode mudar duas vidas. Contigo, eu senti algo insensível, que tomou conta de mim sem pedir. Não sei o que me levou a deixar você sozinha naquela noite... também não faço ideia do motivo pelo qual você me perdoou. Nem eu mesmo me perdoei ainda. Se isso serve de consolo, em sua mais pura verdade, eu digo... Eu te amo! Sempre te amei, e nunca deixarei de amar. Minha vida nunca foi mais do que uma simples vida antes de te conhecer. Você foi o meu primeiro e único motivo de querer viver. Mas não posso tirar da minha cabeça, que talvez... Ah, talvez tudo isso deveria ter acontecido, mas não digo isso para tentar justificar os erros cometidos... Mas veja, se for parar para pensar em tudo o que aconteceu, pelo menos comigo, nem o destino em si é capaz de destinar duas pessoas como aconteceu conosco. Eu não sei, Julie... Eu te amo demais, e tudo o que eu mais quero é ficar contigo para sempre. Sei que já fui perdoado, mas peço novamente de coração... Desculpa! Desculpe essa pessoa que só quer o seu bem, e que está mais do que arrependido. Desculpa!
   Dylan terminara o discurso aos prantos, e percebera que Julie mesmo calada, estava fazendo-se presente em lágrimas. O rapaz aproximou-se de Julie e abraçou-a como jamais teria abraçado alguém antes. Foi necessário o calor do amor de Dylan para que a garota começasse a chorar desenfreadamente:
  _ Não Dylan, por favor, não! Para com isso, você não merece sofrer assim!  -  Disse ela, chorando mais ainda.
  _ Como assim? Não estou sofrendo! Estou feliz de estar aqui contigo, de ter sido perdoado! Não estou sofrendo, eu juro! Não chore, meu amor. – Retrucou Dylan.
  Julia saiu dos braços de Dylan e mostrou a mão esquerda ao rapaz:
 _ Eis aqui o anel. Sim, estou casada. Casei-me com um psicólogo, nós nos conhecemos em uma conferência. Ele não sabe tocar piano, e não gosta de música. Mas isso não foi problema para mim, pois esse meu lado havia morrido logo após a sua partida do meu quarto aquela noite. Ele divide comigo o amor pela psicologia, pela vontade de entender a mente humana. Eu amo muito ele, e ele me ama também. Eu te perdoei, mas apenas perdoei.
 Dylan sorriu. Relutou por segundos, na esperança de ter algo sincero a expressar, mas não conseguiu. Quisera ele ter um piano ao lado para tocar o mais desesperado Requiem do amor. Mas apenas disse:
 _ Estou feliz por você, Julie. Desculpa por ter falado todas essas coisas. Bom, o sol deve ficar mais intenso daqui a pouco, cuidado para não se queimar. Foi muito bom conversar contigo. Até uma próxima, quem sabe...
 Julie nem sequer tentou consolar o rapaz, deixou-o ir como se fosse o encontrá-lo  logo após. Dylan virou-se diante  da garota, e seguiu seu caminho. Naquele momento, o rapaz caminhava suavemente, porém uma crise ocorria em seu interior. Dylan pudera ouvir a mais triste ópera em sua alma, onde a estória era apenas um estória, sem o final feliz, é claro. Sem o final feliz, meu querido Dylan.