segunda-feira, agosto 30, 2010

Capítulo 2 - O Dom

    Já estavam ambos em frente ao piano, Irmã Mary e Dylan, quando a Irmã lembrou que ela ainda não havia dado notícias à Irmã Rebecca de onde estaria o pequeno Dylan. Só que a Irmã Mary sabia que, se ela dissesse a Irmã Rebecca que o garoto estava no refeitório, a Irmã Rebecca iria brigar com o garoto e iria deixá-lo de castigo por um bom tempo. Mas por que ? Então, a Irmã Rebecca não aceitava o fato de qualquer criança ficar no refeitório a não ser na sagrada hora das refeições, mas até as próprias irmãs do orfanato achavam as atitudes da Irmã Rebecca um tanto quanto rígidas e equivocadas. Enfim, a Irmã Mary resolveu ir falar com a Irmã Rebecca, pretendendo dizer que o garoto estava na capela da igreja.
      Dylan estava com um sorriso meigo e com um olhar vidrado em movimento, estava super agitado. Ele estava muito curioso para ver a Irmã Mary conversar com o piano. E para deixá-lo mais agitado ainda, a Irmã Mary disse:
     _ Querido, eu vou lá no jardim avisar a Irmã Rebecca que eu encontrei você. Ah! Mais uma coisa! Agora que você resolveu parar com a greve de silêncio, graças a Deus, jamais diga a Irmã Rebecca que você esteve aqui no refeitório fora do horário de refeições, está bem?! Bom, eu vou lá, me espere aqui, Dylan.
O  garoto que estava com os olhos grudados no piano, apenas assentiu com a cabeça. E mais um vez ficara o pequeno Dylan sozinho com o seu amigo, Piano. Nesse pouco tempo que o garoto ficou sozinho no refeitório, ele pode conversar um pouco com seu amigo:
     _ Desculpa, Piano. Eu não sabia que você não podia ser amigo de ninguém. Mas ainda acho que você poder falar. E nem ligue muito para a Irmã Mary, ela é meio louca. Percebi desde o primeiro dia que cheguei nesse lugar. Sempre que ela me olha, ela fica sorrindo e cochichando com as outras irmãs. Às vezes eu fico com medo, mas passa. Olha ali, a louca está chegando.
    Foi só a Irmã Mary chegar perto do piano, que o garoto logo calou-se. Ela veio sorridente, e disse que já havia resolvido o problema com a Irmã Rebecca. Dylan sorriu e disse baixinho para o piano:
     _ Viu só, eu te disse!
     _ Disse o que, querido? – Perguntou a Irmã.
     _ Nada não, Irmã. – O garoto logo retrucou.
    A Irmã Mary então, sentou-se ou lado do garoto e pegou o caderno de partituras. O pequeno Dylan, muito pensativo, começou a observar a Irmã folheando o caderno, como havia visto um dia antes. Ele, como sempre foi muito curioso, perguntou:
     _ O que tem nesse caderno que a senhora sempre fica lendo?
Irmão Mary sorri, e diz ao garoto:    
    _ Aqui tem todas as composições que eu toco no piano, querido. O piano não fala, como eu havia dito antes. Ele faz vários sons quando eu toco nessas teclas aqui. Eu toco piano, entendeu? Já escolhi uma composição para te mostrar, presta atenção, Dylan.
    Então ela começou a tocar o piano, e Dylan logo ficou vidrado nas mãos da Irmã. Ela tocava muito bem, pois fora integrante de uma orquestra, quando moça. Ela tocou um composição de Mozart, deixando o pequeno Dylan encantado com aquilo tudo. O garoto nem esperou ela terminar, e já ficou agitado dizendo:
     _ Me ensina a tocar isso, Irmã. Eu quero muito fazer esses sons, isso é muito bonito. Por favor, me ensina. Eu sei que não é brinquedo, mas deixa eu tocar.
A Irmã parou diante do garoto, e ficou espantada com toda a agitação dele. Então ela explicou ao garoto, que ele não podia aprender a tocar, senão a Irmã Rebecca iria ficar uma fera. O pequeno Dylan levantou-se do banco e saiu correndo para o jardim. O garoto era mesmo de personalidade forte, a intenção dele era de falar com a Irmã Rebecca. Lá estava a Irmã, no banco do jardim, lendo a Bíblia. O garoto, muito educado, pediu licença e logo disse ofegante:
     _ Me deixa aprender a tocar piano, Irmã? Por favor! Eu juro que não faço bagunça no refeitório.
A irmã Rebecca, já furiosa perguntou:
       _ Você não está muito interessado em piano para um garoto que estava na capela? Quando você começou a falar, menino?
Irmã Rebecca que não alcançou o garoto correndo, chegou logo depois, dizendo:
     _ Pois é, Irmã, ele tinha saído da capela e ido ao refeitório. Eu já briguei com ele, né senhor Dylan!?
Dylan nem deu bola para a mentira da Irmã Mary, ele só estava querendo a resposta da Irmã Rebecca.
     _ Então Irmã, deixa eu aprender, por favor!? – Disse o garoto, tenso.
A Irmã Rebecca, percebendo a vontade do pequeno Dylan, disse que o piano estava pegando poeira no refeitório mesmo, e que não seria má ideia ensinar uma criança a tocar. Pois assim as outras crianças poderiam se interessar pelo instrumento, e gostar mais do coral da igreja. Dylan abraçou a Irmã Rebecca e disse:
     _ Muito obrigado, Irmã. A senhora é muito legal. Nem é tão chata assim.
A Irmã Rebecca, para a surpresa das outras irmãs, apenas riu diante do que o garoto havia dito.
     Irmã Mary começou a ensinar Dylan a tocar piano, e percebia a cada dia que o garoto tinha o dom. Em apenas 3 meses de aulas, o garoto já conseguia tocar o caderno inteiro de partituras. Teria virado um ícone para todos àqueles que aprendiam piano no orfanato. Passaram-se anos. E em 1997, com 14 anos, ele começou a dar aulas de piano aos amigos. Com 16 anos de idade, fora adotado por um maestro famoso do centro de Londres. Mas fora maltratado pelo homem, que só queria tirar dinheiro do dom de Dylan, implicando na revolta e fuga do garoto.

domingo, agosto 29, 2010

Capítulo 1 - Como Tudo Começou

      James Dylan Bridges, mais conhecido entre amigos, como Dylan. Nasceu em 1983, na maravilhosa cidade de Londres. Onde ficara órfão aos 5 anos de idade. Seus pais e suas duas irmãs morreram em um acidente de carro, onde o único sobrevivente fora Dylan. Aos 6 anos de idade - um mês após o acidente - Dylan havia sido rejeitado por seus parentes, e largado em um orfanato dirigido por freiras. Dylan havia chegado no orfato há mais de 3 semanas, e não falava com ninguém, ele ainda estava em choque. Tantas coisas passavam em sua cabeça – flashes e barulhos atormentadores – que o impediam de dormir       todas as  noites.
      Tarde gelada no londrino outono, e lá estava Dylan, no refeitório, afastado das outras crianças, tomando sua sopa e sendo hipnotizado pelo céu nublado visto através da janela. Teria sido a primeira vez que Dylan se apaixonara profundamente. Sim, Irmã Mary entrara no refeitório e começara a tirar uns trapos de cima daquele piano de calda enorme. O garoto, muito curioso, começou a observar a Irmã a folhear o caderno de partituras. Foram necessárias 3 teclas, formando o acorde de “Sol”, para que o garoto se apaixonasse pelo instrumento. Naquela tarde, ouvindo a Irmã Mary, teria sido também, a primeira vez que Dylan sorriu desde sua chegada ao orfanato.
      No dia seguinte, Irmã Rebecca percebe que Dylan não está na no jardim com as outras crianças, então pede para que a Irmã Mary procure pelo garoto. Adivinha onde ela foi encontrar o garoto!? Sim, lá estava o moleque sentado no banco, sem mover um fio de cabelo sequer, apenas observando as teclas do piano.  Então a Irmã disse de longe:
     _ Isso não é brinquedo, Dylan! Vem aqui, vamos para o jardim.
Mas o garoto parecia estar paralisado, nem sequer olhou para a Irmã. Ela sabendo do trauma do menino, procurou não tratá-lo com tanta rigidez. Aproximou-se de Dylan, e viu que o garoto estava num estado catatônico diante do instrumento. Ela pensou em tentar dialogar com o garoto, e disse:
     _ Muito bonito esse piano, não é mesmo, querido?
E não adiantou, novamente o garoto não fez um movimento sequer. A Irmã então, se afastou e sentou-se numa mesa logo atrás do piano, e começou a pensar. Ela tirou conclusões de que o garoto estava em choque, porque talvez havia um piano na casa dele, ou alguém da família tocava ou era músico. Quando para a grande surpresa de Irmã Mary, o pequeno Dylan levanta-se do banco e vai em direção a mesa, com um olhar profundo e diz:
     _ O nome dele é Piano? Por que ele não quer falar comigo? Ele é seu amigo?
A Irmã estava tão admirada com a concepção do garoto sobre o piano, mas ao mesmo tempo tão espantada pelo fato do garoto ter falado com ela e estar olhando pra ela de maneira tão sinistra. Foi a vez dela de ficar paralisada, sem nenhuma palavra sequer em sua boca. Foram os 15 segundos mais longos que a Irmã Mary já passou em toda a vida. Ela então, tão sem jeito quando o garoto, sorriu:
     _ Haha! Bela voz a sua, Dylan. É, o nome dele é piano, mas ele não fala. E ele  não pode ser meu amigo, aliás, ele não pode ser amigo de ninguém. Ele é apenas um instrumento musical, um objeto. Entendeu, querido?
Dylan, muito expressivo, fez um rosto de quem estava achando aquilo tudo que a Irmã disse, uma mentira absurda. O garoto ficou revoltado, e num tom mais alto de voz, esclareceu:
     _ Ele fala sim! Ele falou comigo ontem,  quando a senhora estava no banco na frente dele. Eu só não entendi o que ele disse, mas ele falou, sim. E ele é meu amigo, tá?! Não quero mais ver a senhora perto do Piano, ouviu?!
Muita graça, mas muita graça tomou conta da Irmã Mary. Ela não conseguia parar de rir, ela estava nervosa e ao mesmo tempo com graça. Ela só parou de rir quando Dylan começou a ficar muito vermelho e chorar quietamente. Irmã Mary percebou que o garoto era a pessoa com a mais forte personalidade  que ela já havia visto,  e concluiu também que o garoto falara coisas simplesmente absurdas, coisas de criança. Então ela disse para o garoto sentar com ela no banco do piano - o garoto resistiu um pouco -  mas a curiosidade foi maior. Lá foi Dylan sem mais lágrimas nos olhos,  e com muita expectativa.