domingo, agosto 29, 2010

Capítulo 1 - Como Tudo Começou

      James Dylan Bridges, mais conhecido entre amigos, como Dylan. Nasceu em 1983, na maravilhosa cidade de Londres. Onde ficara órfão aos 5 anos de idade. Seus pais e suas duas irmãs morreram em um acidente de carro, onde o único sobrevivente fora Dylan. Aos 6 anos de idade - um mês após o acidente - Dylan havia sido rejeitado por seus parentes, e largado em um orfanato dirigido por freiras. Dylan havia chegado no orfato há mais de 3 semanas, e não falava com ninguém, ele ainda estava em choque. Tantas coisas passavam em sua cabeça – flashes e barulhos atormentadores – que o impediam de dormir       todas as  noites.
      Tarde gelada no londrino outono, e lá estava Dylan, no refeitório, afastado das outras crianças, tomando sua sopa e sendo hipnotizado pelo céu nublado visto através da janela. Teria sido a primeira vez que Dylan se apaixonara profundamente. Sim, Irmã Mary entrara no refeitório e começara a tirar uns trapos de cima daquele piano de calda enorme. O garoto, muito curioso, começou a observar a Irmã a folhear o caderno de partituras. Foram necessárias 3 teclas, formando o acorde de “Sol”, para que o garoto se apaixonasse pelo instrumento. Naquela tarde, ouvindo a Irmã Mary, teria sido também, a primeira vez que Dylan sorriu desde sua chegada ao orfanato.
      No dia seguinte, Irmã Rebecca percebe que Dylan não está na no jardim com as outras crianças, então pede para que a Irmã Mary procure pelo garoto. Adivinha onde ela foi encontrar o garoto!? Sim, lá estava o moleque sentado no banco, sem mover um fio de cabelo sequer, apenas observando as teclas do piano.  Então a Irmã disse de longe:
     _ Isso não é brinquedo, Dylan! Vem aqui, vamos para o jardim.
Mas o garoto parecia estar paralisado, nem sequer olhou para a Irmã. Ela sabendo do trauma do menino, procurou não tratá-lo com tanta rigidez. Aproximou-se de Dylan, e viu que o garoto estava num estado catatônico diante do instrumento. Ela pensou em tentar dialogar com o garoto, e disse:
     _ Muito bonito esse piano, não é mesmo, querido?
E não adiantou, novamente o garoto não fez um movimento sequer. A Irmã então, se afastou e sentou-se numa mesa logo atrás do piano, e começou a pensar. Ela tirou conclusões de que o garoto estava em choque, porque talvez havia um piano na casa dele, ou alguém da família tocava ou era músico. Quando para a grande surpresa de Irmã Mary, o pequeno Dylan levanta-se do banco e vai em direção a mesa, com um olhar profundo e diz:
     _ O nome dele é Piano? Por que ele não quer falar comigo? Ele é seu amigo?
A Irmã estava tão admirada com a concepção do garoto sobre o piano, mas ao mesmo tempo tão espantada pelo fato do garoto ter falado com ela e estar olhando pra ela de maneira tão sinistra. Foi a vez dela de ficar paralisada, sem nenhuma palavra sequer em sua boca. Foram os 15 segundos mais longos que a Irmã Mary já passou em toda a vida. Ela então, tão sem jeito quando o garoto, sorriu:
     _ Haha! Bela voz a sua, Dylan. É, o nome dele é piano, mas ele não fala. E ele  não pode ser meu amigo, aliás, ele não pode ser amigo de ninguém. Ele é apenas um instrumento musical, um objeto. Entendeu, querido?
Dylan, muito expressivo, fez um rosto de quem estava achando aquilo tudo que a Irmã disse, uma mentira absurda. O garoto ficou revoltado, e num tom mais alto de voz, esclareceu:
     _ Ele fala sim! Ele falou comigo ontem,  quando a senhora estava no banco na frente dele. Eu só não entendi o que ele disse, mas ele falou, sim. E ele é meu amigo, tá?! Não quero mais ver a senhora perto do Piano, ouviu?!
Muita graça, mas muita graça tomou conta da Irmã Mary. Ela não conseguia parar de rir, ela estava nervosa e ao mesmo tempo com graça. Ela só parou de rir quando Dylan começou a ficar muito vermelho e chorar quietamente. Irmã Mary percebou que o garoto era a pessoa com a mais forte personalidade  que ela já havia visto,  e concluiu também que o garoto falara coisas simplesmente absurdas, coisas de criança. Então ela disse para o garoto sentar com ela no banco do piano - o garoto resistiu um pouco -  mas a curiosidade foi maior. Lá foi Dylan sem mais lágrimas nos olhos,  e com muita expectativa.

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