Dylan conseguira encontrar um emprego numa escola de música, como professor de piano. E conseguira alugar um apartamento após ter ficado uma semana nas ruas de Londres, sem ter um lugar para dormir. Depois de tantos anos dentro de um orfanato, Dylan ficou meio problemático, ainda autista e traumatizado. Tudo lá fora era demais pra ele. O rapaz adorava passar horas observando as paisagens, mas seu único amor era o piano, nada mais.
Em 2002, com 19 anos, Dylan passa a ir ao psicólogo, devido aos flashes e barulhos que ainda lhe tiram o sono. Cura-se do trauma causado pela morte da família, após 1 ano de tratamento com medicamentos. Porém, ainda continua sendo o mesmo Dylan de sempre, autista e meigo.
Dylan criou uma rotina diária, muito comum. Acordava cedo, passava no mesmo Café de sempre, depois e ia à escola de música. Ele costumava chegar na escola três horas antes, para poder ficar tocando piano e compondo algumas canções. Dylan sem dúvidas foi o melhor professor que aquela escola já teve. Sim, já teve, pois um dia a rotina acabou. O jovem rapaz, agora com 21 anos de idade, resolveu mudar de vida. Após 2 anos guardando um parte do dinheiro que ganhara como professor, Dylan decidiu viajar, e já tinha um lugar em especial. Dylan criou uma relação de amor com esse lugar desde o primeiro dia em que viu na TV. Arrumou uma pequena mala e partiu, e nem foi difícil se despedir de Londres, uma vez que Dylan não havia muitas amizades ou qualquer coisa que o prendesse de alguma forma.
Inverno rígido na Irlanda, a chegada de Dylan à mais bela capital do mundo. Sim, Dublin fora o destino escolhido pelo rapaz. Mas um pequeno detalhe que deveria preocupar Dylan, tomou conta da situação. O detalhe era simples, muito simples mesmo, ele não tinha ideia nenhuma de onde ir ou o que fazer em Dublin, coisa mínima para se pensar. Mas seu coração estava de bem, feliz por estar naquele lugar frio e acolhedor. Dylan ficara três horas sentado no aeroporto pensando no que fazer. Então, Dylan resolveu pegar um táxi. Pediu ao motorista para que o deixasse no centro de Dublin. Dylan tinha em mente que, estando no centro, tudo ficaria mais muito fácil. Não, as coisas estavam longe de dar certo naquela tarde. Bom, chegando no centro, Dylan consegue ser capaz de escorregar na neve e torcer o pé esquerdo. Tranquilo, até que é normal. Lá vai o rapaz mancando até uma farmácia, onde comprara um medicamento indicado pelo atendende. Claro que Dylan é alérgico justamente a esse medicamento, e desmaia no meio da rua. O rapaz acordara somente na manhã seguinte, assustado e com muita dor de cabeça.
_ Alguém me ajuda aqui, por favor! – Gritou Dylan.
Logo apareceu uma enfermeira, lindíssima, dizendo:
_ Calma, aí, James! Você teve uma reação alérgica, acreditamos que o motivo seja o medicamento que encontramos na sua jaqueta.
_ Pode me chamar de Dylan. Reação alérgica? Mas eu já posso ir embora? – Disse o rapaz, um pouco mais calmo.
_Sim, Dylan. Mas nunca mais tome esse remédio, e evite beber álcool nos próximos três dias. Ah, e deixe o seu pé enfaixado por mais uns 4 dias. – Disse a simpática enfermeira.
Simples assim. Dylan já estava liberado. Com um mala na mão, duas faixas no pé esquerdo, e uma cabeça que ainda estava doendo demais. Até aqui, Dylan tem dois amores: o piano, e a Irlanda. Mas são amores que consomem Dylan em apenas alguns aspectos. O piano consome sua inspiração, percepção. Já a Irlanda consome sua vontade de ser livre, seu bucolismo. Só que Dylan pode esperar! Ele irá conhecer seu primeiro amor, e descobrir que piano e irlanda são apenas paixões. Será consumido por completo.
Fome! Muita fome levou Dylan a um restaurante ao lado do hospital, situado no sul de Dublin. Então lá estava ele, comendo, e ainda pensando no que iria fazer, quando avistou uma garota chorando, na mesa ao lado, sozinha. Dylan conseguiu se apaixonar imediatamente, mesmo que por uma face vermelha e cheia de lágrimas pesadas. Mas o rapaz não enxergara apenas um rosto sofredor, enxergara também, um coração puro, refletido através de um olhar latente. Ele esqueceu seu autismo, e foi imediatamente falar com a garota:
_ Po... po-po... posso sent- t- tar aqui?
É Dylan, você só não esqueceu do nervosismo. Mas foi um ato legal, você se saiu muito bem. A garota meio acanhada, disse que sim, ele poderia sentar. Então Dylan sentou-se e logo perguntou:
_ Porq-q-que você es-s-stá assim?
_ Um gago tentando ajudar – Disse a garota rindo em lágrimas.
_ Eu não so-sou gago. Só est-tou um pouco ner-n-nervoso. – Retrucou Dylan, mais nervoso ainda.
Foram 15 minutos de conversa entre os dois, o suficiente para Dylan entender o motivo das lágrimas da garota, e descobrir o nome dela. Dylan super calmo ao final, disse:
_ Quer que eu vá contigo ao cemitério para levar flores à sua mãe, Julie ? Acho que você precisa de alguém ao seu lado, já que você diz não ter mais ninguém.
Julie, que havia simpatizado com o rapaz, aceitou tranquilamente. É claro que esperava-se mais lágrima da garota ao estar em frente ao túmulo da própria mãe. Mas não, foi a vez de Dylan, ele começou a soluçar de tanto chorar. Julie, super confusa e tensa, perguntou:
_ Calma, Dylan. O que está havendo? Você também perdeu sua mãe?
_ Não, perdi meus pais e minhas irmãs, de uma única vez, em um acidente de carro. Fui o único sobrevivente. – Disse Dylan, aos prantos, já nos braços Julie.
A garota não sabia o que dizer a Dylan, e perguntou se fazia tempo que ele tinha perdido a família, e se eles estariam no mesmo cemitério. Foi então que o rapaz começou a explicar tudo nos mínimos detalhes sobre ele ser de Londres e tudo mais. Mas nem deu tempo de Dylan terminar de explicar, e Julie disse que precisava ir embora:
_ Desculpa. Eu preciso ir embora, Dylan. É muito triste o que aconteceu contigo. Mas do mesmo modo que você me ajudou, eu posso te ajudar. Pode contar comigo, eu gostei muito de você! Me dá o número do seu celular ou da sua casa, aí podemos marcar de sair qualquer dia desses. O que você acha?
Dylan muito sem jeito, diz:
_ Pois é! Eu não tenho celular, e não tenho número residencial. É que eu cheguei em Dublin ontem, e não tive tempo de encontrar um lugar. Passei a noite no hospital, ah, uma longa história.
_ Não, isso está errado, cara. Vamos para a minha casa. Você pode passar a noite lá. E vou logo dizendo, odeio ouvir a palavra “não”. – Disse Julie sorrindo e convicta.
O rapaz não foi capaz de pensar no assunto na oferta, que sua língua já havia largado um imenso “sim”. Então foram os dois papeando até a casa de Julie. Já era fim de tarde, e muitas coisas aconteceriam naquela noite.
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