segunda-feira, setembro 13, 2010

Capítulo 8 - O Reencontro

  Dylan respirou fundo, fechou os olhos e começou a tocar “Julie”. Foram os sete minutos mais intensos que o rapaz vivera em toda a vida. Ao fim, a plateia aplaudiu com unanimidade, de maneira que o clima ficasse muito mais leve. Depois do pianista ter encantado a todos com “Julie”, a orquestra começou a tocar as composições de Mozart e Beethoven. A noite terminou num piscar de olhos, e Dylan não saiu da frente do piano. As luzes que estavam acesas, iluminavam a grande multidão que estava saindo da ópera, e lá está Dylan observando tudo e todos.
   Não, não aconteceu o que o pobre Dylan estava esperando. Pois é, a Julie não apareceu, e nem sequer mostrou-se entre a multidão. Mas por alguma razão sem sentido até então, Dylan não estava decepcionado ou sequer confuso. Ele estava sentindo algo muito bom, como se tivesse cumprido o dever. Após ter observado todos saírem da ópera, ele fechou as portas e começou a tocar “Julie” novamente. Chorou, e depois sorriu. Tentou gritar, mas calou-se. Foram outros sete minutos intensos em sua vida, e que fizeram Dylan perceber que o que ele mais precisava era um pouco de ar fresco, era ir ao castelo do penhasco.
  O rapaz foi caminhando até o castelo, chegando lá apenas ao amanhecer.  De longe ele avistou uma pessoa bem na beirada do penhasco, sentada e imóvel. O vento estava forte, e Dylan estava cansado, muito cansado. Aproximou-se daquela pessoa que estava de cabeça baixa, vestida em um sobretudo, e usando uma  touca enorme. Aproximou-se dela sorrindo, pois lembrara do sonho que tivera com Julie naquele mesmo lugar. Então sentou-se ao lado daquela pessoa e disse:
  _ É muito estranha essa sensação! Talvez eu esteja sonhando, mas só terei certeza quando ver sua face.
  Aquela pessoa suspirando disse:
  _ Por alguma razão, meu coração disse que me encontrarias, onde quer que eu fosse. Parabéns, Dylan! Mas meu coração esqueceu de dizer que você me seguiria até aqui.
  Naquele instante, Dylan começou a rir descontroladamente. Ele estava feliz, calmo e cansado. Quando conseguiu parar de rir, ele disse:
  _ Que legal! Eu sabia que era um sonho! Só não achei que fosse possível sonhar contigo pela segunda vez no mesmo lugar. Sabe, Julie... Quando sonhei contigo aqui, na primeira vez, eu fiquei triste demais por ter acordado antes de poder te abraçar e me desculpar por ter feito aquilo contigo. Mas houve a segunda vez, e estou feliz por isso! Só que mesmo sendo sonho, eu vou respeitar você... Só vou te abraçar se você quiser! Mas quero dizer que estou completamente arrependido de ter deixado você sozinha naquele noite. Me perdoe, por favor!?
  Julie ergueu a cabeça e olhou bem nos olhos de Dylan, dizendo:
  _ Calma! Você disse que já sonhou comigo nesse mesmo lugar? Como assim? Isso aqui não é um sonho!
  Julie deu um tapa no braço de Dylan, e foi aí que o rapaz ficou apavorado por saber que não estava sonhando. Ele não quis saber de mais nada, apenas abraçou Julie. Após o longo abraço, Dylan explicou que havia sonhado com ela ali no penhasco dois dias antes, e que não havia seguido ela. Foi uma conversa muito demorada. Após ter explicado tudo, Dylan pediu novamente para que Julie o perdoasse. O clima estava pesado, e Dylan esperava a resposta que o permitira dizer tudo o que estava sentindo.

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