quinta-feira, setembro 09, 2010

Capítulo 7 - A Decisão

  Naquele momento a vida de Dylan estava prestes a mudar. Mas nunca deve-se pensar que mudança significa que algo positivo irá acontecer em consequência da mesma. Mas enfim, Dylan respondeu a pergunta de Edgar:
   _ Decidi que vou com o senhor, pois acho que é hora de tentar algo novo. Pensei muito no que o senhor falou, e percebi que eu estava errado. Eu jamais irei deixar que a falta de esperança me corrompa novamente.
  Edgar ficou muito contente, e explicou como seria a viagem e tudo mais. Foi necessária uma semana para que Dylan já estivesse em Cork para tomar conta dos negócios referentes à admissão dos músicos para a orquestra. Tudo o que ele precisava fazer, era conseguir encontrar todos os músicos necessários num prazo de um mês.
  Dylan recebera ordens de Edgar, para que não trabalhasse demais, e que dedicasse um bom tempo do seu dia para conhecer as belas paisagens de Cork. Mas Dylan, como estava super empolgado com o negócio da ópera, trabalhou igual um louco, e conseguiu os músicos em duas semanas. Edgar, super satisfeito, pagou a estadia de Dylan num hotel cinco estrelas, para que o rapaz pudesse descansar e aproveitar as últimas duas semanas de folga que antecediam uma longa jornada de trabalho na ópera.
  Na primeira semana, Dylan passou todos os dias dentro do quarto, por causa de uma crise que ele tinha pelo menos uma vez ao ano, que o impedia de sair. Talvez algo como esquizofrenia, ou um grau muito alto de autismo. Já na segunda e última semana, após sair da crise, Dylan saiu quase todos os dias, e conseguiu conhecer os principais pontos turísticos de Cork. No último dia de lazer, Dylan resolveu sair do hotel, que situava-se no centro da cidade, e foi a um penhasco, onde havia um castelo muito antigo. O lugar era realmente esplendoroso e calmo, o local recebia não mais que 100 visitantes por ano.
  Dylan ficara sentado naquele lugar por cinco horas seguidas, refletindo coisas que ele jamais pensaria que fossem possíveis. Uma dessas coisas supostamente impossíveis, era o reencontro com Julie. É, meu caro Dylan, como você é ingênuo! Olhe para trás:
   _ Meu Deus! Eu só posso estar sonhando! – Berrou Julie, indo em direção a Dylan, que ainda estava sentado no mesmo lugar.
  Dylan, com um olhar de susto, ficou bobo quando viu Julie ali. Ele levantou e correu para abraçar seu amor.
 Ei! Acorda Dylan, era só um sonho! Você dormiu aí, rapaz. Já está anoitecendo, hora de ir para o hotel! Sim, Dylan estava mais inconformado do que nunca, pois conseguiu chegar novamente perto de seu grande amor, e no último segundo, bem na hora do abraço, ele acordou e descobriu que tudo era apenas fantasia. Já no hotel, Dylan deitou rezando para que sonhasse com Julie novamente. Amanheceu, e ele acordou mais decepcionado ainda, pois não conseguira sonhar com Julie. Mas não há tempo para tristeza e afins, hoje é dia da inauguração da ópera, chega de folga.
  Chegou a grande hora do espetáculo, da grande inauguração, a ópera  está lotada. Dylan estava mais do que apenas nervoso, diferente dos outros músicos, que estavam super tranquilos. Ele não conseguia parar de tremer e não conseguia falar uma palavra sequer. Estava quase na hora do espetáculo, e Edgar estava preocupado com o estado de Dylan, pensou por um instante, que Dylan não iria conseguir tocar. Até que Dylan recebeu um bilhete com o título “para o pianista”, que dizia:
    
   “ Estou esperando uma apresentação sensacional, principalmente de sua parte. Espero que você seja capaz de despertar o sentimento que uma pessoa do passado conseguiu despertar em mim. Não sei quem és, mas saiba que haverá alguém na plateia com muita expectativa de sentir-se bem ouvindo você tocar. “
  
  Dylan, mal terminou de ler o bilhete, e já ficou muito mais calmo. Começou a pensar em Julie, e dessa vez ele estava certo que não era um sonho, e sim realidade, e que realidade! O músicos entraram no palco. Dylan sentou-se e disse para os colegas de orquestra:
 _ Pessoal, há uma mudança nos planos dessa noite... Ao invés de começarmos tocando Mozart, eu vou começar tocando uma composição de minha autoria. Vocês podem ficar apenas assistindo, e logo após tocamos Mozart e seguimos o que já estava combinado. Ok!?
Como Dylan era o patrão ali, todos os colegas concordaram. Dylan então fechou os olhos e respirou fundo, e a única imagem que lhe veio em mente foi o sorriso de Julie.
   Último sinal na grande ópera, está na hora. As cortinas abrem-se, e tudo está escuro. O silêncio da multidão é imediato. De repente, uma luz paira sobre o piano, e todos ouvirem a voz que diz:
   _ Sejam todos muito bem-vindos, essa noite é muito especial. E nada melhor que uma composição de amor para começar bem. Espero que sintam esse amor! Essa composição eu gosto de chamar de “Julie”.

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