domingo, setembro 05, 2010

Capítulo 5 - O Desencontro

     Após ter dito tudo aquilo, Dylan estava esperando uma reação negativa da parte de Julie. Ele sabia que havia errado em abrir-se com a garota no mesmo dia em que a conhecera, e sabia também que ela não acreditaria nele, sendo que ela nem o conhecia direito. Então Dylan disse a ela que iria pegar um copo d’água com açucar, e saiu do quarto. A garota, ainda com lágrima nos olhos, percebeu que Dylan estava demorando muito, e foi  à cozinha para ver o que estava acontecendo. Dylan não estava mais na casa. Sim, o rapaz sempre foi muito curioso, mas dessa vez ele não estava preparado para saber o que iria acontecer, o que Julie iria dizer a ele.
    Quatro dias se passaram, e Julie não tinha notícias de Dylan. Ela procurou o rapaz por todos os lugares, mas não teve sucesso. Em certa noite, Julie estava no quarto, lendo um livro sobre Psicologia Aplicada, e parou na seguinte frase: “Não deixe que o silêncio predomine, saiba como lidar com o paciente, sempre continuamente...”. Foi aí que ela percebeu o que havia feito de errado para Dylan sumir daquele jeito. Ela  virou para o espelho ao lado de sua cama, e começou a falar para si mesma:
    _ Sua burra! Idiota! Como você pode chorar tanto e não dizer que sentia o mesmo por ele? Como você foi capaz de fazer isso? Eu sei que ele não era um paciente, mas ninguém faz algo tão errado para merecer o silêncio alheio! Não procure mais por ele, agora aprenda a conviver com o seu erro.
    Julie jogou o livro da Psicologia Aplicada no espelho - fazendo-o em pedaços - e começou a chorar descontroladamente. Fora a última vez em que chorara por Dylan, ela estava disposta a esquecer o rapaz, mesmo que isso fosse uma missão quase que impossível.
    Já Dylan, bom, esse estava planejando voltar para Londres, e esquecer que um dia conhecera uma garota chamada Julie, naquela não tão mais maravilhosa capital, chamado Irlanda. Ele ainda tinha algumas economias, e conseguiu  comprar a passagem de volta à Londres. Nesses quatro dias em Dublin, Dylan estava ficando num pensionato ao oeste da capital. Tudo pronto para viajar, mala arrumada, pensionato pago, próxima parada: aeroporto. Mas é óbvio que Dylan conseguira  perder a passagem. O voo já estava saindo e Dylan ainda alí no portão de embarque, desesperado, procurando a maldita passagem por toda a mala. Pois é, acho que aquele avião lá decolando era o seu, meu caro Dylan. Sem mais economias e paciência, o rapaz resolve sair do aeroporto, e foi para a casa de Julie. Sim, Dylan costumava confundir o sentimento de raiva, com o sentimento de coragem.  Pobre rapaz.
    Dylan chegou na casa de Julie ao anoitecer, e tocou a campainha, super nervoso. Ninguém atendeu, então ele tocou mais uma vez, e nada. Julie vendera a casa e as mobílias, inclusive o piano, e fora morar em Cork. Pois é, Julie contou para Dylan que fazia faculdade de Psicologia, só não havia dito que estava a duas aulas de terminar sua formação, e que conseguira um estágio na cidade de Cork, distante de Dublin. Mas Dylan só descobriu dois dias depois, quando viu os novos inquilinos chegando na casa. Dylan estava com muita vontade de perguntar aos inquilinos o paradeiro de Julie, mas não teve coragem. Dylan só ficara sabendo que ela não morava mais ali, apenas isso.

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