terça-feira, setembro 07, 2010

Capítulo 6 - A Proposta

     Dois anos voaram com o vento, e Dylan permanecera em Dublin. Ainda arrependido por ter largado Julie chorando no quarto há dois anos atrás, Dylan não conseguia ter o próprio perdão. O rapaz alugou um apartamento minúsculo ao lado do restaurante onde conhecera Julie, ele conseguira um emprego como garçom no restaurante. Ele rezava todos os dias para que Julie aparecesse lá. Foram os dois anos mais doloridos da vida de Dylan.
     O rapaz chegou a um certo ponto de desistir de viver, de não acreditar mais em si mesmo. Ele perdeu as esperanças, e deixou de acreditar no destino. Pediu demissão do restaurante, e foi fazer o que ele realmente precisava, que era tocar piano. Dylan nunca teve problema em conseguir um emprego, seu carisma era absoluto, contagiante. O rapaz conseguiu um ótimo emprego na orquestra de uma ópera local. Ficou lá por três meses, ele foi a grande atração da ópera por muitas sessões seguidas. Com quase 24 anos de idade, Dylan já não pensava mais em ter uma família, ou sequer tentar. Ele não só era o pianista da orquestra, como também era zelador do local. Passava maior parte do seu dia isolado, tocando aquele piano triste, no palco principal.
     Num certo dia, Dylan recebeu um aviso do dono da ópera, dizendo que um senhor iria lá visitá-lo para fazer-lhe uma proposta. Lá estava Dylan, tocando sua mais bela composição, quando um velho homem aproximou-se dele lentamente, era o senhor de quem Dylan havia sido avisado. Dylan nem se deu conta da presença do homem e tocou sua composição até o fim, sendo aplaudido ao final:
    _ Bravo! Bravo! Em momento algum eu senti seus dedos nas teclas do piano, meu caro rapaz. Pude apenas sentir sua alma transbordando seus sentimentos. Não há mais gente como você nesse mundo.
Dylan ficou sem jeito, e nem olhou nos olhos do homem, apenas disse em um tom de voz baixo:
    _ O senhor que veio para fazer uma proposta?
O homem subiu no palco, com muita calma, encostou-se no piano, e disse:  
    _ Já vi que você é direto, rapaz. Sim, sou eu mesmo. Mas antes de lhe fazer a proposta, me conte de quem é essa bela canção que você acabou de tocar, pois não lembro de ter ouvindo-a antes, qual é o nome?
    _ Eu mesmo compus essa canção, e dei o nome de Julie. – Disse Dylan com um olhar distante.
O velho homem, sem muitas delongas, perguntou:
    _ Quem é Julie? Deve ser alguém muito especial, não?
Dylan direcionou seu olhar direto na testa do homem e disse:
    _ Não sei mais se é tão especial assim. Ela foi a mulher que sumiu e nem deu notícias, mas como ela poderia dar notícias? Se o idiota aqui fugiu dela na hora em que ela mais precisava. Ela me fez perder as esperanças, me fez perder a vontade de viver. Mas não foi culpa dela, eu que sou muito imaturo e complicado. Essa canção com o nome dela, não demonstra um estilhaço sequer desse coração aqui no meu peito, moído pelo arrependimento.
O senhor sem jeito, mas com uma carga de sabedoria superior a do jovem rapaz, disse:
    _ Olha meu rapaz, você pode achar que tudo está perdido, todos são capazes de achar isso. Mas eu quero ver se você tem a coragem e a capacidade de reerguer-se e procurar seu tesouro perdido. Todos nós, humanos, somos sentimentais demais, o que é ótimo, mas saiba usar seus sentimentos! Lembre-se, nada está perdido. E acho que devo lhe ensinar algo: A esperança é imortal.
Dylan com lágrimas secas pela dor da consciência, insistiu:
    _ Qual é a proposta que o senhor tem? Diga logo, eu preciso arrumar as coisas por aqui, para a apresentação de hoje.
O homem sorriu tragando seu cachimbo, e falou:
    _ Bom, primeiramente, prazer! Meu nome é Edgar. Já sei que o seu é Dylan. Pois então, meu rapaz... Minha proposta exige coragem e capacidade, exige um controle dos sentimentos, mas penso que você já está pensando melhor sobre isso. No entanto, a proposta é simples:  Eu estou convidado você para montar sua própria orquestra, com músicos da melhor qualidade. Ou seja, você entra com seu dom de tocar, e eu entro com o dinheiro. Mas esse negócio é em Cork, um pouco distante daqui. Mas não precisa responder agora, vou dar um tempo para você pensar. Voltarei daqui quatro dias, no mesmo horário.
O Edgar despediu-se de Dylan e foi embora. Os quatro dias passaram super rápido, e lá estavam frente a frente, Dylan e o velho homem:
    _ Então meu rapaz, o que você decidiu? 

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